Pinguins - Natação, Partidas e Despedidas.
A última vez que escrevi sobre os ocupantes da ilha, os mais novos pinguins estavam a juntar-se em bandos pela primeira vez. Afastando-se dos ninhos a medo, lentamente procurando a companhia dos outros juvenis, as crias procuram os pais ruídosamente quando a fome aperta – correm atrás dos adultos, chamam-nos de longe, inundando a ilha num ruído constante de hurros, piares e grasnares.
Uma vez em bando, as crias aproximam-se a medo da beira de agua. Seguem os adultos e copiam-nos, desconfiados porque a água é um território novo, desconhecido, onde os pais mergulham e desaparecem por horas, regressando tarde e frios mas de barriga cheia. As lições de natação que se seguem são memoraveis. Em bando, junto à água, o grupo espera que o mais corajoso se molhe – atirando-se à água sem medo, normalmente numa poça de maré pouco profunda. Assim que o primeiro se levanta e respira seguem-se-lhe os restantes. Especialistas em copiar comportamentos, os pinguins aprendem diariamente novos truques. Ao fim de duas semanas de algazarra aquática já nadam em água mais funda, rodam e rodopiam, abanam a cauda e disparam, rapidíssimo, aterrando descontroladamente numa pedra qualquer, normalmente longe do ponto de partida.
Os pinguins mais rápidos, chegando a atingir velocidades de 40km/h, usam acrobacias e saltos quando nadam (porpoisng em Inglês é a mesma palavra usada para descrever saltos de golfinhos). Estes saltos rápidos e repetidos permitem-lhes ajustar a direccão, ver o caminho e coordenar os sentidos. Os adultos fazem-no graciosamente, automaticamente, enquanto as crias frequentemente perdem o balanço e o sentido de orientação e se viram 180 graus, aterrando de costas ou de cabeça na água. O espalhafato destas quedas, as primeiras braçadas dos mais novos e o constante entra e sai no mar faz a água parecer que está em ebulição, movimento constante e salpicos por todo o lado – um histerismo que abafa o som dos outros, dos que ficaram em terra, e que continuam a chamar pelos pais porque, mais uma vez, a fome apertou!
Em breve todos serão nadadores completos, ágeis e preparados para partir para o Inverno, capazes de se alimentarem sozinhos e, finalmente, separarem-se dos pais. Estarei a muitas milhas da ilha quando a migração acontecer. Depois de assistir ao vivo a todas as fases de crescimento e evolução destes companheiros de ilhéu, de ovo a adultos, fica a faltar assistir a esse último evento. Fico contente porém. Estar na rocha mais alta a olhar para o Oeste, para o mar aberto, a ver o último grupo partir não vai ser uma memória. Para mim a ilha terá sempre pinguins, os seus sons e agitação, o reboliço dos mais novos ao cuidado dos mais crescidos.