Pinguins (2)
Com creches (bandos) completamente formados, todos os ninhos foram abandonados. Se um dos adultos acompanha os primeiros passos das crias fora do ninho, rapidamente a excitação da descoberta e o encontro de novos companheiros levam os adultos a separar-se das crias, sobretudo uma vez instalada a confusão ruídosa que os novos grupos instalam. Quando sentem fome lá procuram o adulto, o pai ou mãe que pacientemente os alimenta, depois de encontrar a cria aos gritos, num som unissono para nós, mas inesquecível e inconfundível para aqueles pais.
A dinâmica da ilha gira em torno de quase dois mil animais agora que todas as crias nasceram. Conseguimos facilmente ver como é que o ciclo de crescimento destes nossos vizinhos se desenvolve. Os pais vão perder todas as penas em breve, ganhando uma nova plumagem que vai durar um ano inteiro, penas novas para sobreviver a uma migração invernosa. Enquanto perdem as penas e as substituem, os adultos ficam em terra – perdem a impermiabilidade e ficam tristemente no mesmo sítio – pouco se mexem, que a energia tem que ser conservada até poderem nadar novamente, parecem tristes e soturnos, quase miseráveis . As crias ainda jovens e inexperientes têm que sair da ilha, mergulhar, nadar e alimentar-se pela primeira vez de peixe e krill frescos. Para que tal aconteça, a plumagem infantil cai, dando lugar a penas lustrosas, novas, pretas e brancas e sobretudo, impermeáveis.
A certa altura na evolução desta especie tudo aconteceu de forma perfeita. As crias perdem a plumagem e crescem penas que lhes permitem ir à agua, os pais mudam de penas e ficam em terra, e pouco depois todos partem em grupo, abandonando a ilha em busca de um inverno no gelo. Trocar a ordem de muda de penas seria catastrófico – os pais não poderiam alimentar as crias que necessitam de doses horárias de comida.
O continente mais seco, tecnicamente o maior deserto, regista aumentos médios de temperatura cada ano, um crescimento na pluviosidade, afectando consecutivamente a vida dos residentes. Quando se molham muito novos (durante os 2 primeiros meses de vida) muitas das crias padecem, não conseguindo sobreviver ao frio que se sobrepõe a tudo, e que aumenta com a presença de agua.
É um privilégio testemunhar a precisão com que a natureza existe - assistir da plateia a tudo o que acontece neste palco improvável – a resiliência de uma especie que sobrevive diariamente a ameaças constantes, predadores, doenças, acidentes e também chuvas cada vez mais frequentes.